sábado, 17 de setembro de 2011

VOCÊ SABE COMO SAIR DE UM EMPREGO?



Com o mercado de trabalho aquecido, muita gente anda trocando de emprego. Há porém uma pergunta que me parece não era feita antes: 


- Você sabe como sair de uma empresa?


É só pedir as contas e sair andando, certo? Qualquer um pode fazer isso sem um manual de instrução, não é mesmo?


Mas não é assim que as coisas ocorrem na realidade. Pois para sair de um emprego, é preciso haver fortes razões. Pelo menos um fator de atração forte do novo emprego e também, normalmente, um fator de rejeição forte do emprego atual.


Ou seja, a combinação que completa o quadro de mudança é composto por uma necessidade de sair e uma oportunidade de melhorar a sua situação, certo?


Mas com o inédito mercado aquecido da atualidade, nem sempre o quadro se completa e o profissional sente vontade de mudar, embora não tenha um fator de rejeição forte. Isto cria uma confusão na motivação da saída do emprego.


É necessário então "criar" a necessidade de mudança, ou seja, é necessário procurar motivos que justifiquem a saída. Como acontece este processo?


Uma das justificativas comuns é a sua chefia, o tratamento desrespeitoso, a cobrança excessiva, etc. Como se percebe que não é uma motivação verdadeira? O profissional usa este motivo ao mesmo tempo em que reconhece que aprendeu muito e que cresceu muito sob a orientação do chefe de quem reclama.


Outra bastante comum é que não se sente reconhecido ou valorizado pela empresa, focalizando na promoção imediata como o único reconhecimento ou valorização válido.


Também a remuneração faz parte do rol de motivos, principalmente quando diz que tinha uma expectativa de melhor remuneração. Mas a grade salarial da empresa é pública entre os funcionários e cada qual pode saber em que ponto da faixa correspondente à sua função está o seu salário.


Acontece que muitas vezes nenhum destes motivos é verdadeiramente suficiente para a decisão e mesmo em conjunto, dificilmente o seria. 


Outra situação que é uma extrema falta de elegância é contar vantagens no último dia, comentando do novo salário, dos benefícios e outras coisas que apenas soam para as demais pessoas como um desdém.  


Quem sabe seja útil usar as 3 perguntas de Sócrates: É verdade? É importante? Fará o bem?


E se a mudança é para ir trabalhar com um concorrente direto, certamente a elegância estará completamente comprometida se o afastamento imediato não for voluntário, rápido e o mais discreto possível.


A única coisa que escapa no processo é assumir a sua própria vontade de tomar um risco maior num novo emprego, talvez numa empresa menos sólida, mas com a possibilidade de avançar mais rápido na carreira. Pode ser também a vontade de empreender, aproveitando o momento favorável.


Uma vez assumida a sua própria vontade, não deve haver necessidade de revanchismo contra o seu chefe ou a empresa. A grande vantagem é poder sair da empresa sem perder a relação, o respeito e a amizade das pessoas com que conviveu alguns anos e manter as portas da empresa abertas.


Não digo por achar que o novo projeto será um fracasso, como podem pensar. Mas é muito provável que algum dia a sua antiga relação com a empresa seja uma vantagem profissional para os negócios. Garanto que a satisfação de ser bem recebido na antiga empresa, mesmo depois de 10 anos, será muito gratificante. 


Também, poder usar a empresa anterior como referência, tendo a certeza de que será uma referência positiva é um importante patrimônio profissional. Muitas vezes a antiga empresa passa a ser um grande cliente no seu novo negócio. Já considerou essa possibilidade?


A verdade, contada pelos profissionais da área de RH da empresa, é que a grande maioria dos que saem, buscam oportunidades para retornar. A minha política é de sempre aceitar os bons funcionários de volta. Mesmo que tenham saído contra a minha vontade, o retorno é sempre benvindo. 


Mas a principal mensagem não é aprimorar-se na "arte de mudar de emprego", mas sim, questionar-se se a sua motivação foi assumida corretamente e se a saída é mesmo a melhor alternativa para a sua carreira. 


Um questionamento importante a se fazer é se a promoção obtida através da sua saída é mesmo melhor do que a mesma promoção na empresa em que você trabalha hoje. Quem sabe você tenha talento e habilidade para ser um executivo numa grande empresa e esteja trocando algum tempo de espera por uma empresa muito aquém do seu potencial?


Continuo a acreditar que o profissional só poderá ser feliz no seu trabalho se tiver a oportunidade de exercer plenamente o seu potencial.


Grato,


YK.

7 comentários:

  1. Boa Tarde Caro Yoshio...

    Gostei muito deste texto. Realmente temos que ter muito cuidado ao sair de um emprego, e o
    mais importante ainda é manter um laço forte e poder contar com a empresa em outras oportunidades de negócios e até mesmo retornar um dia.

    Isso aconteceu comigo quando pedi demissão de meu último emprego e fui ficar uns meses na
    Europa. Quando retornei minha antiga empresa me procurou e fez questão de que eu voltasse ao meu trabalho.

    Pra mim foi um reconhecimento de que havia realizado meu trabalho corretamente e me desligado da empresa sem qualquer problema.

    Parabéns pelo texto e espero que muitos pensem e reflitam sobre qualquer atitude em uma possível troca de emprego.

    Um abraço,

    Fábio Henrique
    www.guiametal.com.br

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  2. O ideal é mesmo manter uma boa relação com a antiga empresa. No entanto, a saída de um profissional da empresa gera sempre um conflito. O orgulho de ter sido trocado por outro muda o comportamento das pessoas.

    Foge a regra a situação do colega Fabio Henrique, que saiu da empresa para fazer um curso na Europa. Nesse caso a empresa entendeu que a sua saída não foi para trocar de empresa, mas para fazer uma especialização.

    Um grande abraço,

    Carlos Bonote

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  3. Fábio,

    A construção de uma carreira sólida passa por aprender a lidar com estas questões e situações.

    Claro que não há reconhecimento maior do que o convite para retornar à empresa, pois se não impediram a sua saída, pelo menos foram práticos em buscá-lo.

    Muitas vezes as pessoas que atuam em mercados mais amplos como São Paulo, apostam em oportunidades ilimitadas e pouco cuidado tem com a questão. Já em mercados menores, saber manter a reputação por longo período é muito importante.

    Abraço!

    YK.

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  4. Bonote,

    É verdade. A saída nesta situação é complicada, principalmente se for concorrente direto.

    Mas espero que as percepções das pessoas estejam mudando. Pois é preciso reconhecer os direitos das pessoas de "ir e vir" mesmo entre empresas.

    O difícil é as empresas aceitarem que o treinamento que foi propiciado para um funcionário nunca é perdido. Sempre ajuda a melhorar a sociedade.

    Grato,

    YK.

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  5. Boa Noite Yoshio,

    Olha realmente aqui na minha região se presa muito a reputação "nome". Uma família de boa conduta desde seus bisavós faz diferença por aqui, penso comigo que devo seguir honrar meus antepassados que muito fizeram por mim, este reconhecimento profissional e dentro da própria família não tem preço.

    Olha não comentei mais foi difícil sair do emprego para viajar, rasgaram meu aviso prévio uma vez e custou a dar baixa na minha carteira, rsrsrsrs

    Mais depois voltei e tudo deu certo, hoje estou em outra empresa mais tenho uma forte relação de amizade com meus ex-chefes...

    Abraços

    Fábio Henrique

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  6. Fábio,

    Agora que querem aumentar o Aviso Prévio conforme o tempo de casa, a mobilidade vai custar mais cara.

    Tenho a impressão de que no longo prazo será "bom para os ruins e ruim para os bons". A visão imediatista e pontual de algumas pessoas é muito estranha.

    O resumo é que vai custar mais caro melhorar...

    Abs,

    YK.

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  7. Olha...seria bom que ao menos 50% dos empresários conhecesse esse blog.Á 4 anos eu entrei em uma Empresa aqui em Natal-RN.Na intenção de trabalhar no que eu sou capacitado.E quando eu entrei já tinha meu pequeno comercio de roupas,brinquedos,calçados e utilidades domésticas.Só que eu cheguei lá pra trabalhar como Eletricista.Eu sou Eletricista Industrial.Trabalho com todos os tipos de serviços Elétricos,como automação,comandos,sistema de CFTV,e algumas as mais.Estou resumindo tudo aqui pra não ficar muito longo.O gerente da empresa na época disse q iria me encaixar numa função até surgir uma vaga na minha área.Eu aceitei,afinal era mais uma nova profissão que eu estaria aprendendo.Mas quando surgiu a tal vaga,o Supervisor da elétrica viu o meu curriculum,disse q depois falava comigo.Mas nunca mais ele falou nada.passa por mim e muda de caminho.O meu antigo supervisor falou que quando ele ver que tem um profissional que sabe de muitas coisas na Elétrica,ele faz esse tipo de atitude.
    Bem...agora eu estou querendo sair pra cuidar do meu comercio,já que a empresa não dar chance pra ninguém.Eu falei com meu supervisor atual para que ele posesse meu nome no corte pra que eu saia com todos os meus direitos.Porque lá tem isso.Você pede para colocar seu nome no corte e o supervisor faz isso.Mas ele não quer que eu deixe o emprego.
    Mas eu preciso sair pra cuidar do meu sustento,já que lá baixou do salário que pagava pra o salário mínimo.Ah...lá eu trabalho como tecelão,operando 4 máquinas circulares.E eu sei que o salário do tecelão não é esse que eu estou ganhando lá.Eu e mais uns Dois mil funcionários.Afinal essa empresa tem 10,800(Dez mil e Oitocentos)funcionários.Ano passado ela demitiu 7000(Sete Mil)funcionários.Acho que agora voces sabem de qual empresa eu estou falando.
    Eu gostaria de saber como eu consigo sair pra cuidar do meu patrimônio sem perder nada?
    Me perdôe pelo longo comentário.

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