Tecnologia é uma coisa muito divertida, quando não é muito complicada, certo?
Uma das minhas experiências recentes mais marcantes com o uso da tecnologia aconteceu numa compra de um computador. Cheguei na loja sem muito tempo e sem muita paciência para o processo de transação.
Compra de "homem", já sabendo o que queria e onde comprar, só não fazendo por Internet porque estava de passagem pela cidade! Já disposto a pouca conversa com o vendedor.
Pedí que um vendedor me atendesse e uma moça veio com outra jovem guiada por um cão, indicando que era uma portadora de deficiência visual. A moça, que era supervisora perguntou se eu me importaria em ser atendida pela Mary. Confesso que hesitei por um segundo, mas imediatamente a minha curiosidade por uma nova experiência fez-me aceitar e arriscar.
Tudo fácil até identificar o produto e a especificação, cujo preço não estava exposto. Achei que ia complicá-la com a pergunta e que alguém viria auxiliá-la. Mas ela apenas digitou o seu celular e ouviu a resposta, incorreta, pois havia ocorrido algum êrro na digitação, mas em seguida corrigiu e deu-me o preço.
Como fiquei interessado pela facilidade e pela eficiência dela, quis testá-la perguntando outras coisas e o seu sistema seguia respondendo muito bem.
Quando cheguei em acessórios, ela se desculpou por não ter todos os dados no sistema e indicou-me o local onde poderia escolher o que me interessava. Ao voltar, leu o código QR e fechou a compra no seu Smart-Phone, passou o meu cartão e completou a transação. Um colega já havia trazido a mercadoria enquanto ela preparava o faturamento.
Um atendimento perfeito e com total eficiência, muito rápido. Aproveitei para agradecer, elogiar o atendimento e querendo saber um pouco mais do seu trabalho. Com uma deficiência visual grave, disse necessitar do seu cão para caminhar e de alguma ajuda para completar o seu trabalho. Mas estava feliz por poder trabalhar numa loja em que muitos jovens no mundo todo sonham em poder trabalhar! E só podia ter este privilégio porque a tecnologia havia viabilizado o seu trabalho!
A tecnologia é simples e disponível. O que diferencia esta empresa é a disposição de utilizar este sistema, treiná-la e treinar outras pessoas para ajudá-la, ter um lugar para o seu cão descansar e cativar seus clientes com uma experiência pessoal fantástica! Eles sabem bem como produzir um User Experience - UX, com valor!
Já estava feliz por comprar o meu novo notebook, mas esta experiência foi um valioso bônus inesperado! É por estas e outras, que admiro a Apple! Rapidamente, ela vai se tornando a única marca de computadores diferenciada no mundo, enquanto outras viram todas commodities.
Georgetown Apple Store, se alguém quiser comprar um computador com super UX! O preço? É barato, quando se inclui uma experiência destas!
YK.
sábado, 18 de maio de 2013
domingo, 12 de maio de 2013
VOCÊ TRABALHARIA NUM NAVIO PIRATA?
Você acha que a pergunta é estranha?
Durante a visita ao National Geographics Museum na semana passada, em Washington D.C., havia uma interessante exposição sobre um navio pirata chamado Whydah e o seu capitão, Sam Bellamy.
É uma história real, romântica, em que um jovem decide ser pirata para ganhar dinheiro e poder casar-se com a jovem cujo pai proibiu-a de se casar com o marujo pobre.
A parte mais curiosa da mostra para mim foi conhecer como se fazia a formação de uma equipe de um navio pirata. Como contratavam os marujos, que teriam como parte do seu "job description" correr riscos elevados e eventualmente matar inimigos para depois saqueá-los? Como conseguir que raros pilotos hábeis fizessem parte da equipe para atravessar águas perigosas? Quem é que fazia o inventário dos frutos dos saques e distribuía corretamente na partilha? Principalmente, porque alguém se tornaria um fora-da-lei, juntando-se a uma equipe de um navio pirata?
A curiosa história mostra que a principal razão para que os marujos provenientes das frotas militares e comerciais se tornassem piratas eram melhores condições de trabalho, remuneração mais elevada, autonomia para realizar o seu trabalho e um tratamento democrático e igualitário oferecido pelo capitão do Whydah!
Pois é, em 1700, a vida no navios da marinha comercial da época era muito dura, com forte disciplina, autoritarismo, castigo físico e uma remuneração muito baixa para o trabalho pesado. E sempre havia falta de pessoal por estes motivos, causando sobrecarga sobre a equipe. Claro que discriminações também faziam parte do contexto numa época em que a escravidão era uma prática normal pelo mundo.
Neste quesito também os navios piratas ofereciam um tratamento inovador. Todos homens eram livres e tinham os mesmos direitos, independente de origem ou raça. Assim, o único ambiente em que a diversidade era uma prática na época, era o ambiente de trabalho de um navio pirata. No caso do Whydah, este compromisso era uma declaração e promessa escrita do capitão a todos que se juntassem à equipe.
Vale dizer que navios como o do Sam Bellamy representavam na época o empreendedorismo independente, correndo riscos e bancando as suas decisões. Eram diferentes dos "Privateers", que eram piratas "Oficiais", autorizados pelos países a atacarem os navios comerciais de países inimigos. Seriam como exércitos mercenários ou mais recentemente empresas de "Segurança" que atuavam no Iraque?
Como foras-da-lei, os piratas se tornavam "Citizen of No Nation", parecido com alguns "Expat" corporativos dos dias de hoje, cujo comprometimento declarado ou dissimulado com o "país da vez" é temporário e passageiro, na hipótese mais elegante.
Mas como todo empreendimento importante, Whydah tinha a sua identidade corporativa e o seu "Brand Identity". Sam Bellamy tinha a caveira com ossos cruzados sobre a bandeira negra, marca que significava ressureição e renascimento. Muitas vezes, as vítimas identificavam e reconheciam o símbolo e entregavam a carga sem resistência, pois a reputação já era conhecida. Hoje a marca de Sam Bellamy caiu em domínio público, e é usada como símbolo de perigo e morte.
Porque a história do Sam Bellamy e do Whydah produz tamanho fascínio? Porque já oferecia e praticava um tratamento para seus funcionários que ainda hoje, muito empresas e muitos gestores não entenderam. Vale mencionar também que o piloto do Whydah, era um jovem de 16 anos.
Está difícil contratar pessoas, atrair e reter talentos? Pergunte ao Sam Bellamy como fazer...
YK.
Durante a visita ao National Geographics Museum na semana passada, em Washington D.C., havia uma interessante exposição sobre um navio pirata chamado Whydah e o seu capitão, Sam Bellamy.
É uma história real, romântica, em que um jovem decide ser pirata para ganhar dinheiro e poder casar-se com a jovem cujo pai proibiu-a de se casar com o marujo pobre.
A parte mais curiosa da mostra para mim foi conhecer como se fazia a formação de uma equipe de um navio pirata. Como contratavam os marujos, que teriam como parte do seu "job description" correr riscos elevados e eventualmente matar inimigos para depois saqueá-los? Como conseguir que raros pilotos hábeis fizessem parte da equipe para atravessar águas perigosas? Quem é que fazia o inventário dos frutos dos saques e distribuía corretamente na partilha? Principalmente, porque alguém se tornaria um fora-da-lei, juntando-se a uma equipe de um navio pirata?
A curiosa história mostra que a principal razão para que os marujos provenientes das frotas militares e comerciais se tornassem piratas eram melhores condições de trabalho, remuneração mais elevada, autonomia para realizar o seu trabalho e um tratamento democrático e igualitário oferecido pelo capitão do Whydah!
Pois é, em 1700, a vida no navios da marinha comercial da época era muito dura, com forte disciplina, autoritarismo, castigo físico e uma remuneração muito baixa para o trabalho pesado. E sempre havia falta de pessoal por estes motivos, causando sobrecarga sobre a equipe. Claro que discriminações também faziam parte do contexto numa época em que a escravidão era uma prática normal pelo mundo.
Neste quesito também os navios piratas ofereciam um tratamento inovador. Todos homens eram livres e tinham os mesmos direitos, independente de origem ou raça. Assim, o único ambiente em que a diversidade era uma prática na época, era o ambiente de trabalho de um navio pirata. No caso do Whydah, este compromisso era uma declaração e promessa escrita do capitão a todos que se juntassem à equipe.
Vale dizer que navios como o do Sam Bellamy representavam na época o empreendedorismo independente, correndo riscos e bancando as suas decisões. Eram diferentes dos "Privateers", que eram piratas "Oficiais", autorizados pelos países a atacarem os navios comerciais de países inimigos. Seriam como exércitos mercenários ou mais recentemente empresas de "Segurança" que atuavam no Iraque?
Como foras-da-lei, os piratas se tornavam "Citizen of No Nation", parecido com alguns "Expat" corporativos dos dias de hoje, cujo comprometimento declarado ou dissimulado com o "país da vez" é temporário e passageiro, na hipótese mais elegante.
Mas como todo empreendimento importante, Whydah tinha a sua identidade corporativa e o seu "Brand Identity". Sam Bellamy tinha a caveira com ossos cruzados sobre a bandeira negra, marca que significava ressureição e renascimento. Muitas vezes, as vítimas identificavam e reconheciam o símbolo e entregavam a carga sem resistência, pois a reputação já era conhecida. Hoje a marca de Sam Bellamy caiu em domínio público, e é usada como símbolo de perigo e morte.
Porque a história do Sam Bellamy e do Whydah produz tamanho fascínio? Porque já oferecia e praticava um tratamento para seus funcionários que ainda hoje, muito empresas e muitos gestores não entenderam. Vale mencionar também que o piloto do Whydah, era um jovem de 16 anos.
Está difícil contratar pessoas, atrair e reter talentos? Pergunte ao Sam Bellamy como fazer...
YK.
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