segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

CAUTELOSAMENTE OTIMISTA PARA 2014?

Aprendemos desde cedo que a cada início de ano, devemos renovar nossas esperanças e nosso otimismo. Assim, cada final/início de ano, remetemos aos amigos, familiares, parceiros de negócios, colegas de profissão o melhor do nosso otimismo. Acreditamos nas possibilidades e desejamos que o novo ano seja sempre melhor do que aquele que passou, para todos.

Mas como anda o seu espírito neste início de 2014? Se a sua resposta é um otimismo tranquilo e confortável, parabéns! O seu negócio certamente está bem distribuído em diferentes setores com "drivers" independentes do mercado, mantendo seus riscos contidos.

No entanto, se o seu espírito sente-se otimista, mas não se esquece de algumas insistentes preocupações que não se vão, seja bem-vindo ao time do otimismo menor.

Num momento em que a perspectiva da Copa do Mundo diverte e preocupa, a eleição presidencial parece irremediavelmente favorável à continuidade, a infraestrutura se vê desgastada, a lembrança das manifestações coletivas remete às badernas, o IPI dos automóveis volta a subir, as práticas políticas desagradam, as coisas do governo incomodam, a ameaça de aumento do IR volta à tona (a própria Dilma havia engavetada a ideia durante uns 5 anos) e o IOF sobre o cartão de débito no exterior foi aumentado na calada da noite (como nos velhos tempos), um otimismo menor pode ser muito natural.

Otimismo menor não significa render-se a algum grau de pessimismo, pois quase todas estas coisas já são conhecidas, pelo menos para a maioria das pessoas. Mas  significa dar um pouco de crédito à intuição, aquela sabedoria que vem do fundo da alma, numa misteriosa combinação de experiências e conhecimentos, para alertar e aguçar os nossos sentidos associados à sobrevivência.

Parece que a situação, um tanto nebulosa, vindo das instituições que existem para eliminar uma parte destas inquietações, encomenda uma reflexão rápida, logo no início do ano, para não ser tomado pelo atraso e recomenda um otimismo cauteloso ou uma cautela otimista, ainda que infame.


Acontece que as análises dos especialistas comentam apenas do que é visível e do que é “comentável” dentro da racionalidade. Mas há muitas coisas que não são ditas e que afetam a realidade do mercado, contrariando a lógica. 

Com estas coisas em mente, já apostando muito mais nas próprias iniciativas do que no comportamento do mercado para crescer, só resta desejar a todos um feliz 2014, com toda convicção de que os otimistas vencerão a inércia e a contemplação.

Feliz 2014!

Yoshio Kawakami.



ARE YOU CAUTIOUSLY OPTIMISTIC FOR 2014?

We learned early on that in the beginning of each year, we must renew our hopes and our optimism. So each end/beginning of the year, we greet friends, family, business partners, and professional colleagues with the best of our optimism. We believe on the opportunities and we hope that the New Year is always better than the ending one, for everyone.

But how is your spirit at the beginning of 2014? If your answer is a quiet and comfortable optimism, congratulations! Your business is certainly well distributed in different sectors with independent "drivers" of the market, keeping its risks contained.

However, if your spirit feels yet optimistic, but do not forget some persistent concerns that do not go, welcome to the team of the cautious optimism.

At a time when the prospect of the World Cup amuses and worries, the presidential election seems to hopelessly favour continuity, infrastructure is seen worn, the collective memory of recent events refers to the riots, the IPI (Industrial Production Tax) of the motor vehicles goes back up, the political practices displease, things annoy at the federal government level, the threat of increased IR (Income Tax) resurfaces (Dilma herself had shelved the idea for about 5 years) and the IOF (Financial Transaction Tax) on the debit card abroad was increased in the dead of the night (like in the old times), a cautious optimism may be very natural.

Less optimism does not mean surrendering to some degree of pessimism, because almost all of these things are already known, at least for most people. But it means giving a little credit to intuition, the wisdom that comes from the soul, a mysterious combination of experience and knowledge, to alert and sharpen our senses associated with survival.

It seems that the situation somewhat nebulous, coming from institutions that exist to eliminate some of these concerns, orders a quick reflection, early in the year, not to be taken for the delay and recommends cautious optimism or optimistic caution, whatever you prefer.

It turns out that the analysis of the experts commented only on what is visible and what "can be commented" within the usual rationality. But there are many things that are unspoken and are affecting the market reality, contrary to logic.

With these things in mind, already betting more on your own initiatives than in the behaviour of the market to grow, all that remains is to wish everyone a happy 2014 with all the conviction that optimists overcome inertia and contemplation.

Happy 2014!


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

ERA UMA VEZ UM CONCEITO?

Um amigo me disse que o problema do nosso país é que destruímos qualquer bom conceito por um punhado de trocados. Segundo ele, a prática oportunista do mercado é tão nociva que destrói oportunidades interessantes em troca de  pequenos ganhos mesquinhos.

Confesso que não havia entendido completamente o seu ponto de vista na primeira vez que o ouvi afirmar isso. Mas agora sim! Deu para entender e percebi que realmente ele tem razão.

Não é necessário mais do que houve mais uma vez com o tal Black Friday. Basta considerar que há muitas práticas importadas que servem para dar um "boost" no comércio, em ocasiões especiais. As datas comerciais são todas assim. São idéias interessantes que podem gerar benefícios tanto para os comerciantes, quanto para os consumidores.

Espero que não se adote o Dia de Ação de Graças americano, que nada tem a ver com a nossa cultura, embora alguns amigos tenham enviado cartões pela passagem do dia. Mas o Black Friday sequencial é interessante, com um apelo comercial que lembra o Natal e o final do ano.

Um pouco de surpresa sempre fez parte do comércio em muitas partes do mundo. No Japão também há algo semelhante com o "Fukubukuro" ou "Lucky Bag", que é uma sacola fechada vendida com descontos como parte da comemoração de Ano Novo. As pessoas compram sem saber o que há dentro delas, mas o conceito respeitado de bons descontos mantém a tradição de oferecer o presente.

Empresas como a Apple também praticam o "Lucky Bag" no Japão, respeitando o conceito. Claro que nem sempre o conteúdo é o idealizado, mas não se pratica o "pega-trouxa" do nosso Black Friday. 

O que os próprios comerciantes, muitos embora não todos, estão fazendo com o conceito do Black Friday? Estão destruindo o conceito, solenemente em troca de algumas moedas imediatas!

Não teria sido melhor fazer um esforço para transformar a data num valor duradouro, num conceito interessante? Os grandes momentos de consumo poderia ser um dia de redução de estoques e vendas adicionais! Quando trocam a credibilidade do termo por um punhado de moedas, praticam a falácia da vantagem individual contra o prejuízo geral. É o auto-engano de ser mais esperto do que os outros.

O que está acontecendo? Os consumidores estão percebendo as táticas desonestas no mercado e não dão a mesma credibilidade que a data possui no país de origem. Com o tempo, poderá ocorrer um descaso à iniciativa ou até mesmo uma rejeição.   

Não teria sido mais inteligente que as empresas, associações comerciais e até mesmo as agências de publicidade estivessem mobilizados para manter o valor do conceito? Afinal, os anúncios produzidos para o Black Friday passaram por todo processo até a divulgação. No próximo ano, terão que trabalhar numa comunicação que diga algo como: - "Nosso Black Friday é honesto! Pode confiar!".

Come on guys, you're wasting the concept!

Acho que era isto que o meu amigo estava dizendo sobre a destruição de conceitos. Mas agora há um exemplo bem claro, para que pensem um pouco sobre a pobreza do uso que fizeram mais uma vez de um conceito que ainda pode ser valioso para os negócios.

Claro que em outros níveis, destruímos também outros conceitos e valores mais importantes como o papel da política na sociedade. Mas isto não justifica destruir mais um novo conceito que sequer depende dos políticos.

Yoshio Kawakami.